sábado, 2 de julho de 2016

Considerações #7 - Longa de Death Note será produzido pela Netflix

Sei que muitos fãs de Death Note adoraram a notícia de ter uma nova adaptação da famosa obra da dupla Oba Tsugumi e Obata Takeshi, entretanto, a escolha do elenco e transladar a história do Japão para acontecer nos EUA e no Canadá,deixou muita gente bastante apreensiva. Numa outra postagem, falei sobre o fato de escolherem Scarlett Johansson para fazer o papel de Major, na adaptação live-action de Ghost in the Shell, agora é a vez de vermos Death Note passar pela mesma coisa. Sinceramente, não iria falar sobre esse assunto novamente, mas o que vi na internet me motivaram a me posicionar sobre.

A escolha de Nat Wolff, de Keith Stanfield e de Margaret Qualley para os papéis de Light/Raito Yagami, de L e de Misa Amane, respectivamente, me deixaram um tanto quanto apreensiva. Neste último dia 30 de junho, a Netflix anunciou o início das filmagens do longa. Mas por que o fato de escolherem o Keith para o papel de L está incomodando mais do que terem escolhido um ator caucasiano para fazer o papel de Light?



Estamos tão acostumados ao fato de embranquecerem nossos personagens principais que talvez não nos admiremos mais com essa escolha. Mas quando a escolha sai da caixinha do que estamos acostumados, ficamos enraivecidos. Vi diversos comentários na internet sobre o fato de escolherem um ator negro para interpretar o personagem L e eu digo que tudo nessa adaptação já começou de forma problemática. Contemplar um ator negro para ser coadjuvante (porque o protagonista tem que ser branco) é uma forma de dar representatividade, mas isso é ruim quando você exclui outros grupos étnicos, como atores de origem asiática.

Outro problema nessa produção é fato de a história sequer se passar no Japão. A ambientação da trama dessa nova adaptação de Death Note terá cenas gravadas nos EUA e no Canadá. Ocidentalizar uma obra japonesa cuja história se passa no Japão não é novidade nenhuma. O problema é quando existe um apagamento total de qualquer traço que lembre o Japão ou que a história é de origem japonesa.



Atualmente, fala-se muito em representatividade. E isso importa sim! Mas veja bem, estamos falando de uma história japonesa que se passa no Japão e qual a representatividade que atores de origem oriental têm nas telas de Hollywood? Sabemos que a norma que impera em Hollywood é o personagem masulino, caucasiano e americano. Mulheres, negros, LGBT's, asiáticos têm pouca ou quase nenhuma representatividade em Hollywood. E essa realidade ainda se perpetua mesmo quando a história contempla personagens que poderiam ser interpretados pelo grupo de atores que melhor se encaixam para o papel.

O contrário não se vê. É preferível mudar todo o roteiro e adaptá-lo para que atores brancos interpretem, mas nunca jamais na face da Terra um roteiro será adaptado para ser interpretado por atores negros ou asiáticos (exceto quando querem fazer uma paródia de uma obra de sucesso, o que nem sempre é positivo). Um exemplo recente disso está acontecendo com o trailer do filme novo das Caça-Fantasmas em que muita gente detestou a versão da equipe de caça-fantasmas ser interpretado por mulheres e APENAS mulheres.



Mas o que isso tem a ver comigo? Aparentemente, nada. Se você vive no seu mundinho ou na sua bolha, isso pouco te afeta a princípio. Até porque é muito mais conveniente conviver com a norma do que viver tentando desconstrui-la. Zona de conforto na vida das pessoas é tudo. O fato é que essa prática do White-Washing (literalmente, embranquecer tudo, digamos assim) é tão enraizada que não nos afeta mais. Ou não afeta a maioria. É uma pena saber que atores nipo-sino-americanos mais uma vez serão escanteados, porque não são caucasianos e, pior, serão deixados de fora de uma história que traz personagens orientais.

Você se sente injustiçado por ser o último a ser escolhido numa atividade de equipes. Imagine nunca ser escolhido quando algo foi feito para você. É isso o que acontece, sobretudo, com os atores de origem asiática, mas que são americanos. Eu não digo que a Netflix (que deveria ser um canal alternativo e inclusivo, já que ela prega tanto o diferencial nas suas produções) deveria contratar atores japoneses, mas que pelo menos contemplasse os atores de origem asiática que são americanos e têm papéis negados pela prática do White-Washing. Espero que a adaptação seja um sucesso? Não. Sinceramente, não espero. Mas pode ser. Entretanto, pelas nossas experiências, as chances de essa produção ser uma porcaria e ofuscar a obra original são grandes. E não preciso ir longe para citar o exemplo do desastroso Dragonball Evolution. Eu como fã da cultura japonesa não gostei da escolha dos atores e esse papinho de ultrapassar as fronteiras raciais é balela para justificar a exclusão de atores de origem de oriental de terem trabalho.

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