segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Age of Youth 2 (K-Drama)

No início, fiquei meio apreensiva, pensando que talvez não chegasse aos pés da primeira temporada. Entretanto, essa segunda fase de Age of Youth conseguiu me surpreender de maneira bastante positiva. O diferencial de abordar temas polêmicos, sobretudo, para a sociedade sul-coreana, fez com a série continuasse com a mesma pegada de antes. Mas uma coisa que ainda é igual é que, nos momentos mais difíceis, elas estão sempre juntas para cuidar umas da outras.

Título: 청춘시대 2/ Chungchoonshidae 2/ Age of Youth 2
Direção: Lee Tae Gon
Roteiro: Park Yeon Sun
Gênero: Comédia, Drama, Romance
Publicação: K-Drama - 14 episódios (jTBC | 2017)
Nota♥♥♥♥♥

Age of Youth 2, drama coreano (2017)

Sinopse: Nessa segunda temporada, a história se passa um ano depois. Ou seja, um ano depois de descobrirmos o segredo por trás da morte do pai da Yoo Eun Jae (Ji Woo), depois de a Jung Ye Eun (Han Seung Yeon) se ver livre do ex-namorado abusador, depois de a Yoon Jin Myung (Han Ye Ri) voltar da China e depois de descobrirmos porque queriam se vingar da Kang Yi Na (Ryu Hwayoung). Nessa nova fase da vida delas, Yi Na acaba tendo que se mudar e a nova inquilina, Jo Eun (Choi Ah Ra), a priori muito arisca, aparece como uma anunciadora de males para a vida dessas quatro amigas.






Eu poderia tagarelar bastante sobre esse dorama. Encher de imagens e gifs como na postagem sobre a primeira temporada (sorry, falhei miseravelmente na busca por gifs legais), mas minha pretensão é ser bem sucinta para não frustrar expectativas. Quem assina o DramaFever pode ter ficado meio decepcionado - como eu - ao constatar que a segunda temporada não aparece na lista de doramas deles. Uma grande pena, pois eu esperei ansiosamente por isso. No entanto, para a nossa alegria, a equipe maravilhosa do Kingdom Fansub legendou todos os episódios para nós e só temos a agradecer por isso.



Falando do dorama em si, tenho algumas considerações iniciais para fazer. Primeiro, demorei muito para me acostumar com a Ji Woo, atriz que assumiu o papel da Eun Jae no lugar da Park Hye Soo, que por motivos de agenda lotada, não pôde continuar na série. Senti-me muito incomodada com ela, mas até que acabei me acostumando, mas confesso que foi agoniante vê-la nos primeiros episódios e nos finais também - risos. Segundo, senti super a falta da Hwayoung na série, claro que ela tem algumas participações especiais, mas ela sempre foi a minha personagem favorita na primeira temporada, meio que você custa a aceitar certas mudanças. Mas enfim... dito isso, depois desse pequeno desabafo, podemos prosseguir.




Fiquei muito feliz pela série ter alcançado tanto sucesso para ganhar uma continuação. Isso é, de fato, uma grande conquista. Vale salientar que para aqueles que querem mais, essa temporada terminou estilo filme de herói da Marvel, com um ganchinho para uma possível continuação. Não vamos especular, mas talvez possa acabar tendo uma terceira temporada, quem sabe - risos. Torçamos que sim. E espero ser surpreendida com a qualidade e o ritmo da série.



Vale salientar que, nessa segunda temporada, pensei que não conseguiriam manter o frescor da juventude (como sustentado no título) comparada à primeira. De fato, é verdade que o ritmo, no início, é bem diferente, afinal, elas agora têm uma nova rotina, a Ye Eun tem medo de sair sozinha, devido ao seu TEPT (transtorno de estresse pós-traumático), Eun Jae não consegue lidar com o fim do relacionamento e a Song Ji Won (Park Eun Bin) está indecisa sobre o seu futuro profissional quando terminar a faculdade. Além disso, temos o retorno de Jin Myung e a sua saga para conseguir um emprego após a graduação.





Novas realidades, novos dramas, novos dilemas. As garotas do Belle Époque têm que se despedir de uma companheira, aceitar uma nova inquilina e lidar com seus problemas particulares. É nesse cenário que situações delicadas - tão comuns no nosso dia a dia - vão sendo desenhadas. Jo Eun resolve sair de casa, por não suportar a traição do pai. A moça tem medo de confiar nas pessoas e, apesar do seu jeito durona, é um amor de pessoa e uma amiga muito leal. A priori, li em alguns lugares, falando de uma possível temática lésbica na série, mas não chegamos a tanto. No máximo que pude observar acerca disso, foi a paixão unilateral da An Ye Ji (Shin Se Hwi) pela Jo Eun, mas nem fica claro se é amor ou apenas ciúme de amiga.





São tratados temas bastante polêmicos nessa temporada, tais como abuso sexual na infância, TEPT, fins de relacionamento traumáticos e suicídio. Nesse aspecto, a série manteve sua pegada e essência. A Ji Won sempre é a responsável pelos alívios cômicos na série, mas aqui somos apresentados a uma face mais séria dessa personagem, mesmo que em alguns episódios. Também somos apresentados a uma versão menos séria da Jin Myung e a uma personalidade mais confiante da Ye Eun, quando ela consegue lidar melhor com o seu trauma. Na minha opinião, essa segunda temporada se mostrou mais séria, ao mesmo tempo que tentou manter o espírito jovial das cinco amigas. Os novos dilemas vividos por cada uma delas continuaram fugindo do clichê, sempre focando na originalidade e na proposta inovadora da própria série.





Sou suspeita para falar, mas eu amei demais essa continuação. Tive alguns momentos de raiva, sobretudo, com a Eun Jae, ela passa por momentos de muita vergonha alheia, mas quem nunca nessa vida? Não é todo mundo que consegue lidar bem com fins de relacionamento. Além disso, outro ponto super interessante na história, é expor o preconceito que a sociedade sul-coreana ainda tem com as mulheres vítimas de violência doméstica. A Ye Eun passa por muitos mal bocados com a família dela, que vou te contar.





Outro ponto para destacar, são os pares românticos na série. Fica sempre aquele clima entre a Ji Won e o Im Sung Min (Son Seung Won). Você até fica torcendo (e ao mesmo tempo não) para o idiota do Yoon Jong Yeol (Shin Hyun Soo) reatar com a Eun Jae e não consegue parar de shippar a Jo Eun com o sobrinho da locatária, Seo Jang Hoon (Kim Min Suk). Além disso, temos a Jin Myung vivendo um relacionamento a distância com Park Jae Wan (Yoon Park) e a Ye Eun tentando se dar uma nova chance com o nerd desajeitado, Kwon Ho Chang (Lee You Jin). São muitos os momentos engraçados, românticos e tensos. Tem para todos os gostos. E se você ainda não viu, está esperando o quê? Como já disse antes, sou muito suspeita para falar, mas insisto em dizer que vale a pena. Super recomendo!! De coração. Espero que tenham gostado da resenha sem spoilers - acredito eu - e até a próxima. Kissu.




K-Drama legendado em português:
Kingdom Fansubs (download - completo - necessita cadastro)
Netflix (assistir online)

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Stranger: Secret Forest (K-Drama)

Interessei-me por esse dorama quando vi que a Bae Doo Na estava no elenco. Além de ela estar no elenco, saber que Stranger seria um drama sobre corrupção me chamou ainda mais a atenção. Como já disse várias vezes aqui no blog, eu adoro histórias policiais, de suspense e de ficção científica. Com certeza, não poderia ignorar esse drama depois de ler uma sinopse tão interessante. Mas o melhor de tudo é que não me arrependi, Stranger foi um dos melhores k-dramas de suspense que eu vi esse ano!

Título: 비밀의 숲/ Bimilui Soop/ Stranger - Secret Forest
Direção: Ahn Gil-Ho
Roteiro: Lee Soo-Yeon
Gênero: Drama, Suspense, Thriller
Publicação: K-Drama - 16 episódios (tvN | 2017)
Nota♥♥♥♥


Stranger: Secret Forest, drama coreano (2017)

Sinopse: Hwang Shi Mok (Cho Seung Woo) é um promotor que durante oito longos anos foi considerado o único promotor honesto em um sistema legal insanamente corrupto. Após uma série de assassinatos, ele se junta à fervorosa tenente, Han Yeo Jin (Bae Doo Na), que sempre se manteve fiel às suas convicções. Juntos, eles irão desvendar diversos segredos sujos por trás do sistema judiciário sul-coreano.




Tudo começa quando um suspeito de dar propina a promotores é assassinado na sua própria casa. O crime desperta o interesse de Hwang Shi Mok que acaba pegando o caso. À medida que dá sequência a investigação, novos elementos vão surgindo, tornando o quebra-cabeça muito mais interessante, entretanto, por descobrir coisas que não deveria, Shi Mok é afastado do caso, mas isso não o impede de realizar a sua própria investigação. Afastado do caso, Shi Mok é escolhido para encabeçar uma auditoria interna dentro do ministério a fim de investigar todos os promotores corruptos, no entanto, essa medida só servia para deixá-lo ocupado e longe do caso de assassinato. Após ser indicado para liderar essa auditoria, os colegas promotores veem Shi Mok como uma grande e perigosa ameaça, visto que Shi Mok é extremamente incorruptível.





A personalidade fria e distante de Hwang Shi Mok, que o impede de se relacionar normalmente com outras pessoas, também surge como um fator responsável pelo medo que os colegas sentem dele, afinal, se ele não demonstra empatia por ninguém, ele não mediria esforços em punir todos os corruptos dentro do sistema. A explicação para Hwang Shi Mok ser assim, surge na infância, quando ele foi operado para aliviar as fortes dores de cabeça que ele sentia. Entretanto, ao longo da cirurgia, ele teve parte de seu cérebro, responsável pelas emoções, retirada, além disso, seu problema também impede que ele manifeste de maneira espontânea seus sentimentos.





Sem ter em quem confiar, Shi Mok realiza seu minucioso trabalho de investigação com a ajuda de Han Yeo Jin. Como policial honesta e, de certa forma, feminista, ela será implacável em investigar a fundo todas as associações criminosas dos promotores com os chefes de polícia e lobistas, ainda mais quando ela descobre que alguns desses homens influentes dormiu com prostitutas menores de idade. Ao longo da investigação, não só ela fica chocada com os possíveis envolvidos, como também descobre o tanto de colegas corruptos que ela tem. E isso acaba revelando o quanto o sistema policial é podre, indecente e parcial, dependendo dos interesses dos envolvidos no esquema.





Vale salientar que esse dorama é um thriller de tirar o fôlego. Faz um tempinho que tinha assistido, mas só agora tive tempo e disposição de escrever sobre ele. Não irei me alongar na resenha pelo fato de ser um drama de suspense, então, qualquer coisa a mais que eu diga pode estragar possíveis surpresas. Ainda no dorama, vemos outros personagens importantes que funcionam como peças chaves para a solução dos esquemas de corrupção investigados por Shi Mok. Dentre os envolvidos na trama, podemos citar o promotor Seo Dong Jae (Lee Joon Hyuk), que tenta ao máximo se safar das suas acusações e a jovem e promissora estagiária que é promovida rapidamente à promotora efetiva, Yeong Eun Soo (Shin Hye Sun), que busca vingança pessoal.





Nenhum personagem é totalmente inocente. No início, muitas pessoas passam a nutrir desconfianças de Hwang Shi Mok por ele sempre estar a frente nas cenas dos crimes. Não só ele como a tenente Yeo Jin. Ambos passam a trabalhar em equipe, mas ainda assim é difícil para Shi Mok revelar suas verdadeiras intenções. Apesar de ser novata na Unidade de Crimes Hediondos, Yeo Jin é considerada uma policial super capacitada e ela servirá de grande ajuda para a resolução dos casos. Além disso, capturar o assassino em série torna-se primordial na investigação, no entanto, o que a morte de Park Moo Sung (Eom Hyo-Seop) revela é que existe algo muito mais perigoso e complicado por trás de tudo. Enquanto o promotor e a tenente correm contra o tempo para prender o assassino, eles irão aprender que estranhos são bem menos perigosos do que as pessoas que eles conhecem. Amei esse dorama, super recomendo!! Até a próxima e espero que vocês tenham gostado da sugestão.





K-Drama legendado em português:
Fansub: DramaFans (sem link)
Ver online: DramaFever; Netflix

sábado, 25 de novembro de 2017

Lip Smoke (Mangá)

Vale salientar que histórias entre colegiais e caras mais velhos não me atraem muito, mas vi na page do Mangás Space uma indicação sobre essa história, acabei me interessando por ser um mangá curto e eu estava à procura de uma leitura breve. Quando comecei a ler, me deparei com a gritante diferença de idade entre os personagens, o que me incomodou bastante, visto que é sempre complicado quando histórias assim apresentam um cara tão mais velho para ser o par romântico das nossas heroínas. Mesmo que ele seja sempre um gentleman com ela, na prática isso não existe, afinal de contas.

Título: リップ スモーク/ Lip Smoke
Mangaká: Nishikata Mai
Gênero: Drama, Romance, Shoujo, Slice of Life
Publicação: Mangá - 1 volume (2013)

Lip Smoke, da mangaká Nishikata Mai (2013-2015)

Sinopse: A jovem Setsuna Iwato é uma estudante colegial que trabalha como estagiária numa editora. Durante uma de suas atribuições, ela conhece o escritor de contos eróticos, Kazuki Seta. A priori, ela o tem como um tarado pervertido, até que acaba aceitando ajudá-lo a escrever suas histórias.



Se você gostaria de ver algum bom desdobramento sobre essa história, meio que é bom desistir dessa ideia. O mangá é bem curto, daqueles que você lê numa sentada. Além disso, a história é, de certa forma, satisfatória, todas as pontas são fechadas, não fica nada em aberto. Tudo termina de modo bem amarradinho.

Sobre os personagens, irei começar falando da Setsuna. A nossa protagonista tem apenas 16 anos e é uma guria cheia de atitude, daquelas que sabe muito bem o que quer e o que não quer. No início, quando ela conhece o senhor Seta, ela o acha um pervertido tarado que a qualquer momento poderia agarrá-la, entretanto, à medida que vamos lendo os capítulos, ela fica na expectativa de isso acontecer e ele não cruza o sinal.




A primeira impressão que nós temos do Kazuki Seta é a de um escritor que quase não sai de casa e que precisa ser puxado pela orelha para poder cumprir seus prazos com a editora. Quando Setsuna vai a sua casa, avisar-lhe sobre o prazo do seu trabalho mais recente, ela dá de cara com um escritor só de cueca, com o cabelo todo desgrenhado e ainda por cima, realizando o pagamento de uma acompanhante. Setsuna ameaça chamar a polícia, mas é impedida por ele, que depois acaba convencendo a moça a ajudá-lo a escrever seu próximo livro.

Com certeza, o ponto mais polêmico desse mangá é a gritante diferença de idade entre os personagens principais. Enquanto Setsuna tem apenas 16 anos e é aluna do segundo ano do colegial, Seta tem o dobro da sua idade e toda uma vida de experiências amorosas e sexuais nas costas. Mas vale salientar que apesar da grande diferença de idade entre eles, não existe uma idealização da relação amorosa entre os dois, mesmo tendo 16 anos, Setsuna é representada como uma garota bastante madura para sua idade, o que acaba impressionando Seta. 



Além disso, por ser um tema tabu no Japão, o relacionamento de adultos com estudantes, ainda é tema que atrai muito a atenção por atiçar o imaginário das pessoas. Entretanto, Lip Smoke não se encaixa como um daqueles shoujos de relacionamento proibido. A Setsuna não é uma idiota, nem uma lesada que se deixa levar. Ela decide que ama o senhor Seta e faz de tudo para que ele se confesse para ela. Se isso surte efeito ou se há alguma chance de eles ficarem juntos no final, só lendo para descobrir. Apesar dessa diferença entre eles, a história apresenta cada personagem de maneira bem detalhada, o que nos faz conhecer cada personagem muito bem e, de certa forma, somos cativados por eles. No mais, recomendo a leitura, mas espero que não esqueçam da diferença de idade entre eles! Até a próxima, amores... Kissu...


Mangá em português:
Mangás Space (download/ leitura online - completo)

Mangá em inglês:
MangaHere (read online - completed)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Enciclopédia Animangá - Sukeban, as Gangues Femininas Japonesas dos Anos 70

Yoooo, minna!! Fazia bastante tempo que eu não postava nada na seção Enciclopédia Animangá, mas enquanto eu pesquisava algumas coisas por aí, achei por acaso uma matéria sobre as Sukeban. Como nem todo mundo conhece ou sabe do que se trata, resolvi falar um pouco sobre essas gangues femininas que aterrorizaram o Japão nos anos 70.



Nos anos 70, o Japão vivia uma época de terror provocada pela Yakuza e pelas Sukeban. As Sukeban eram garotas colegiais que escondiam facas, lâminas e correntes nas longas saias do seifuku (uniforme do tipo marinheiro, muito comum nas escolas japonesas). O surgimento das Sukeban se deu, porque:

"Na yakuza, as mulheres não têm autoridade e quase não havia membros do sexo feminino. Gangues de garotas que tenham existido antes era uma raridade na cultura geralmente sexista dominada pelos homens no Japão", explica o escritor Jake Adelstein, especialista em crime japonês. "O mundo estava falando de feminismo e libertação, e talvez elas sentissem que as mulheres também tinham o direito de ser tão estúpidas, promíscuas, viciadas em adrenalina e violentas quanto seus colegas homens".

As Sukeban cometiam pequenos crimes, como roubos e furtos, além de brigarem com gangues rivais. Como em todo grupo, existia um severo código de honra, que servia muitas vezes para punir as companheiras que roubavam o namorado da outra, etc. Para esse tipo de transgressão, a punição era feita com queimaduras de cigarro, que também servia para punir quem desrespeitasse outra integrante acima na hierarquia do grupo. Apesar de probleminhas com roubar o namorado da outra ou desrespeitar alguma companheira, elas eram extremamente leais umas às outras, mantendo em comum o ódio pelo mundo e pelas pessoas  no geral.



A Professora Doutora Laura Miller, da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, na época em que morou em Osaka (durante o auge do surgimento das gangues femininas no Japão), disse que admirava as Sukeban por elas se rebelarem contra as normas de gênero e de feminilidade mainstream, ela ainda lembra de vê-las:

"Andando por diferentes distritos, logo ficou claro que elas vinham de bairros de classe trabalhadora. Parecia que a rebeldia delas estava ligada ao fato de que elas sabiam que nunca se tornariam princesas de escritório ou a esposa adorável de um rico salaryman (espécie de executivo engravatado japonês)".

Identificar uma Sukeban não era difícil. Como todo grupo da subcultura japonesa, elas também tinham seu estilo próprio. Usando os uniformes escolares, modificados dependendo do estilo da gangue, suas roupas não passavam do inocente seifuku. Apesar de utilizarem o seifuku costumizado, elas faziam questão de usar saias longas como uma forma de protestar contra a hipersexualização das adolescentes na época (o que - infelizmente - não é muito diferente de hoje), lenços de escoteira sob a gola marinheiro e tênis Converse. O visual ficava completo quando elas usavam patches, botons e algum tipo de arma (tacos de beisebol, correntes, facas, etc.).



Vale salientar que o estilo Sukeban tornou-se icônico, inspirando uma série de filmes Pinky Violence (gênero de filme que retrata, na maioria das vezes, gangues de mulheres) e alimentando o imaginário de vários outros escritores e cineastas. Os filmes eram produzidos visando o público adulto e abrindo caminho para mulheres violentas nas telas dos cinemas. O ponto positivo de retratar as Sukeban nas telas era evidenciar a solidariedade feminina, embora extremamente radical, esse tipo de sororidade era incomum e impensável para a época e mais ainda para a história do cinema. 

"Elas se tornaram a representação das dicotomias sociais, culturais e políticas que a sociedade japonesa estava experimentando na época", diz Alicia Kozna (autora de Pinky Violence: Shock, Awe and the Exploitation of Sexual Liberation). "Num nível mais amplo e universal, a ideia de mulheres 'se comportando mal' sempre foi atraente para o público, especialmente porque é um desafio à maneira como as mulheres são universalmente ensinadas a agir. Ver esse tipo de resistência ao que é esperado é emocionante para muitos e até catártico para alguns".

Um dos maiores legados das Sukeban foi o fato de elas espalharem mensagens de empoderamento ou de terror, dependendo da sua posição na sociedade japonesa da época. Apesar de esquecidas, visto que material sobre elas no Japão é extremamente difícil de encontrar, foram elas que abriram caminho para as gangues colegiais femininas atuais poderem existir e se manterem firmes e fortes. De certo modo, é graças às Sukeban que as punks Yanki e as motoqueiras Bousouzoku podem rodar "livremente" pelo Japão com toda a sua barulheira.



O apagamento das Sukeban não é um processo aleatório ou natural. A grande produção cultural sobre elas, desde filmes, animes, mangás e até material pornográfico, existiam aos milhões, entretanto, a escassez e a raridade de encontrar evidências sobre a existência delas só reforça o horror que muitos tinham/têm dessas garotas. Adolescentes da classe operária, em plenos anos 70, subvertendo a ordem e os costumes não era algo com o que a maioria das pessoas poderia se acostumar. Além disso, embora haja pontos negativos sobre elas, afinal, elas cometiam pequenos delitos dentre outras coisas, é válido salientar que elas representaram um dos movimentos femininos mais solidários entre mulheres que já existiu no Japão.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Double Tone Two Yumi (J-Drama)

Para ser sincera, eu deveria estar concluindo Ode to Joy e postando a resenha de Stranger - Secret Forest, porém, cá estou eu falando de um outro dorama que eu nem pretendia assistir, mas que acabei me esbarrando nele depois que a minha assinatura no DramaFever venceu - risos. Se você é daqueles que está um pouco cansado de doramas coreanos all ever time, essa postagem é para você.

Título: ダブルトーン~2人のユミ~/ Daburuton~2nin no Yumi/ Double Tone Two Yumi
Direção: Miki Koichiro
Roteiro: Kajio Shinji; Yamamoto Akari 
Gênero: Drama
Publicação: J-Drama - 6 episódios (NHK | 2013)
Nota♥♥♥♥

Double Tone Two Yumi, drama japonês (2013)

Sinopse: Num belo dia, inexplicavelmente, Nakano Yumi (Nakagoshi Noriko) começa a sonhar com uma mulher que ela nunca viu antes. Mas não apenas ela, como a própria mulher do sonho, Tamura Yumi (Kurotani Tomoka) começa a sonhar com Nakano. O que elas ainda não sabem é que o dia a dia de Tamura Yumi que Nakano tem sonhado se passa em 2011 enquanto o cotidiano de Nakano que aparece nos sonhos de Tamura se passa em 2013. Mas por que essas duas mulheres que nunca se conheceram na vida começaram a ter esse tipo incomum de ligação?

Esse dorama estava salvo no meu computador há um tempinho, mas eu não tinha tido coragem ou vontade ou qualquer coisa para começar a vê-lo. Mas eis que eu acabei encontrando ele numa das pastas de arquivos e resolvi assistir. Sinceramente, não esperava que fosse me deparar com uma história interessante e diferente de tudo que estou acostumada a ver. Os doramas japoneses não têm o mesmo "glamour" dos doramas coreanos, o que faz com que muita gente torça o nariz, mas essa história vale a pena ser assistida.

Nakano Yumi e Tamura Yumi passam a compartilhar entre si sonhos sobre o dia que cada uma teve. Entretanto, embora estejam no mesmo mês (abril), ambas vivem em momentos distintos uma da outra. Tamura Yumi é uma jovem dona de casa dedicada ao marido, Tamura Youhei (Yoshizawa Hisashi), e a sua filhinha de 3 anos. Ela tem um trabalho de meio período num escritório de contabilidade, o que ajuda nas despesas, mas gera diversos desconfortos na dinâmica do seu casamento. Youhei não ajuda em nada e faz com que Yumi fique extremamente sobrecarregada e insatisfeita. 

Para resolver a situação, Tamura Yumi pede conselhos a sua velha amiga, Arinuma Ikuko (Tomochika). Entretanto, o que ninguém poderia imaginar é que as pequenas coisas que Yumi vai sonhando do que Nakano descobre sobre ela e sobre sua possível morte dentro de alguns dias, a faz repensar sobre suas atitudes. Mas será que Tamura Yumi será capaz de descobrir detalhes de sua morte pedindo a ajuda de Nakano Yumi? Será possível Nakano salvar Tamura mesmo depois de dois anos de seu falecimento? E os sentimentos que Nakano passa a nutrir pela família de Tamura? Para responder a todas essas perguntas, você precisa assistir a esse dorama!! Uma história envolvente que faz você querer saber o que vai acontecer e por que elas passam a ter essa ligação. Super recomendo!! Vale muito a pena dar uma chance para essa história. Até a próxima, meus amores...



J-Drama legendado em português:
Fighting Fansub (download completo - necessita cadastro)
Meteor Dramas Fansub (download completo - necessita cadastro)
Puri Puri Fansub (download completo - necessita cadastro)

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Nakanmon! (Mangá)

Minha pretensão era falar sobre esse mangá muito antes, mas logo em seguida comecei a ler Kyou no Kira-kun e me apaixonada pela história. Somando-se a isso, a falta de tempo para postar, fizeram com que eu fosse empurrando essa resenha com a barriga - risos -, mas antes tarde do que nunca, hoje esse trem saiu! Esse mangá é bastante fofo, espero que vocês gostem e para aqueles que curtem histórias assim, podem mergulhar de cabeça.

Título: 泣かんもん!/ Nakanmon!/ Don't Cry, Baby
Mangaká: Tsukishima Haru
Gênero: Comédia, Drama, Romance, School Life, Shoujo
Publicação: Mangá - 4 volumes (2011)

Nakanmon!, da mangaká Tsukishima Haru (2011)

Sinopse: Hirahara Tsukasa morava em Hiroshima, mas acaba tendo que se mudar para Tóquio e tendo que se acostumar à nova rotina da cidade grande. Já no primeiro dia de aula, ela chega atrasada e é por causa disso que ela conhece quatro colegas de sala: o língua afiada coração mole Himeno Youichi, o compreensivo Ishihara Nozomi, Agatsuma e Onda Misa. Mas será que esses cinco conseguirão ser amigos?

Tsukasa vai morar em Tóquio e tenta ser o mais otimista possível com a nova realidade que ela vai ter que encarar. A princípio, ela tenta controlar seu péssimo hábito de bebê chorão, mas Tsukasa chora por tudo, ainda mais quando se lembra da sua querida irmã mais velha. Na nova escola, Tsukasa é zoada pelos outros por ser extremamente bobinha, chorona e ter sotaque de interior. Apesar de ser chorona, graças aos deuses intergalácticos, ela não é aquele tipo de heroína de shoujo chorona e irritante. Em algumas situações é bastante compreensível essa choradeira dela. Além disso, Tsukasa, mal entra no ensino médio e já conhece os dissabores do amor e as particularidades cotidianas de uma amizade.




Por ser muito ingênua e por acreditar demasiadamente nas pessoas, Tsukasa acaba caindo na lábia  envolvente de Ishihara. Diferentemente de Himeno, Ishihara atrai Tsukasa com palavras doces e amigáveis. Mas o que Tsukasa não imaginava era que esse simpático e compreensivo rapaz não passava de um mero D. Juan. Ishihara trata nossa heroína com desprezo e debocha de seus sentimentos, mas por mais chorona que ela seja, Tsukasa dá a volta por cima, voltando sua atenção novamente para Himeno, que apesar de ter uma língua afiada e de dizer verdades na cara das pessoas, tem o coração de ouro.




Tsukasa amadurece com essas experiências e aprende a lidar com a rejeição, a superar perdas, o que contribui para o seu crescimento emocional, e tudo isso sem deixar de ser ela mesma. Apesar de ser um mangá curtinho, com apenas 4 volumes, Nakanmon! é uma história interessante, que trata de situações delicadas para muitas pessoas, que é o fato de ter que lidar com a rejeição e traz pontos positivos ao mostrar uma personagem que cresce emocionalmente: chorar nem sempre é sinal de fraqueza. Mas depois de levar um pé na bunda de Ishihara e da pior forma, adivinha o que acontece?

Ela e Himeno vão ficando mais próximos e cada vez mais amigos, o que desperta sentimentos em Tsukasa novamente. Entretanto, não satisfeito com o que fez, Ishihara se arrepende e tenta voltar atrás: ele decide reconquistar Tsukasa, que embora esteja apaixonada por Himeno, quem disse que a recíproca é verdadeira? Será que em algum momento, Tsukasa termina com Himeno ou ela perdoa Ishihara pela burrada que ele fez? Para saber sobre isso, só lendo o mangá. No mais é isso... se você está interessado em histórias fofas, com triângulo amoroso e sem ser uma narrativa longa, eis uma ótima sugestão para esse feriadão. Até a próxima, amores... Kissu.



Mangá em português:
Fascínio Asiático joint Neko Otaku Scan (download - completo)
Central de Mangás (ler online - completo)
Union Mangás (ler online - completo)
 

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